Por que o master mais alto não vence
Todos os grandes serviços de streaming normalizam o volume de reprodução. Se o seu master está mais alto que o alvo do serviço, o serviço abaixa a diferença — ele não sobe o material mais baixo. Um master empurrado para −6 LUFS toca no mesmo nível percebido de um a −14, só que chega com toda a limitação e sem nenhuma dinâmica. A loudness war acabou no momento em que a normalização virou padrão. O que sobra de limitar demais é o achatamento, não o volume.
O que o LUFS integrado realmente mede
LUFS é loudness units relative to full scale, medido conforme a ITU-R BS.1770-4. O sinal passa por um filtro que aproxima a forma como a audição humana pondera as frequências, é dividido em blocos sobrepostos de 400 milissegundos e mediado com dois gates: um gate absoluto que descarta tudo abaixo de −70 LUFS e um gate relativo que descarta tudo que fica mais de 10 unidades abaixo da média calculada sem gate. É esse gate que faz o LUFS acompanhar o quanto uma faixa parece alta, e não o quanto seus trechos mais silenciosos são baixos. Esta ferramenta implementa esse algoritmo, não uma aproximação dele.
True peak não é o mesmo que peak
O medidor da sua DAW mostra o sample peak: o maior valor presente no arquivo. O true peak estima o maior valor da forma de onda analógica reconstruída entre as amostras, que pode ser mais alto. Isso importa porque toda loja recodifica seu arquivo em um formato com perdas, e essa recodificação pode empurrar um sinal já cheio para além do full scale. O resultado é uma distorção que nunca esteve no seu master. Esta ferramenta faz oversampling de quatro vezes para medi-lo, do mesmo jeito que um medidor de broadcast.
O número que vale mirar
Masterize em torno de −14 LUFS integrados, com true peak em −1.0 dBTP ou abaixo, e você vai soar como pretendia em todos os grandes serviços. Se decidir deliberadamente passar de −14 LUFS, baixe o true peak para −2.0 dBTP e deixe espaço para o encoder. Se a sua relação peak-to-loudness ficar abaixo de 8 LU, você está limitando forte o bastante para a normalização apagar o ganho. Nada disso é uma regra a seguir: é apenas o que as plataformas fazem com o seu arquivo depois do envio.
As outras coisas que isto verifica
Taxa de amostragem e profundidade de bits em relação aos valores aceitos. A contagem de canais, porque arquivos mono e arquivos em que os dois canais são idênticos estão entre os motivos de recusa mais comuns. Clipping, contado em amostras. Offset DC. Silêncio no começo e no fim, porque mais de cinco segundos em qualquer das pontas é recusado por vários serviços. E a correlação estéreo, que revela problemas de fase que fazem a mix desmoronar em mono — ou seja, na maioria dos celulares, das caixas inteligentes e dos sistemas de clube.
Quais tipos de arquivo funcionam?
Tudo que o seu navegador consegue decodificar: WAV, FLAC, MP3, AAC ou M4A, e AIFF na maioria dos navegadores. Para uma checagem real de entrega, use o WAV ou FLAC que você pretende enviar, porque analisar um bounce em MP3 diz respeito ao MP3, não ao seu master.